Bancos Tradicionais vs. Fintechs - quem vencerá?



Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil... jamais pensei que diria isso, mas direi: Não está nada fácil ser um banco tradicional no Brasil hoje em dia. Além da pandemia, taxas de juros baixíssimas, ambiente regulatório desafiador (que inclui o open banking, mas não é só isso), são mais de 700 fintechs os desafiando todos os dias (segundo o Distrito).

 

Estou chamando de "Bancos Tradicionais" os bancos de varejo tradicionais, aqueles com agências bancárias. Por isso deixei o BTG Pactual e a XP Investimentos de fora - são outros modelos de negócios. Fintechs são as empresas que oferecem produtos financeiros através de plataformas digitais, portanto através de tecnologia - do inglês, as Financial Technology Companies.

 

O mercado já ergueu a taça para as Fintechs. Comparei quatro Bancos Tradicionais (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil) contra quatro Fintechs listadas (Cielo, Pagseguro, Stone e Meliuz). As Fintechs tiveram uma performance mais que o dobro melhor que os Bancos Tradicionais para o período analisado: 24/Jan/18 (IPO PagSeguro) até 16/Abr/21 (NOTA 1).

 

Estima-se que os bancos tradicionais superem 100 milhões de clientes no Brasil (NOTA 2). Sua abordagem é tradicional: uma loja física (solidez), montanhas de papel (segurança do processo) e um gerente (para navegar na burocracia). O vínculo com o cliente acaba sendo muito mais sólido e representativo, o que depois ajuda a rentabilizar estes clientes com melhor concessão de crédito e cross-selling.

 

As fintechs buscam atender estes 100 milhões de clientes ("rouba-montes") e os cerca de 45 milhões de clientes ainda não bancarizados que transacionam cerca de R$800 bi anualmente ("próxima fronteira"). Sua abordagem é essencialmente digital: aplicativo no smartphone (tecnologia), zero-papel (modernidade) e auto-serviço (praticidade). Há um menor vínculo com o cliente que valoriza um relacionamento mais oportunista que se aproveita da alta competição entre os prestadores de serviços. É o bom, bonito e barato. (NOTA 3)

 

Os bancos tradicionais (Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Itaú) e o BTG entraram na corrida digital e apostam no universo fintech pesadamente. Eles fizeram suas apostas em bancos digitais, originação de crédito, empresas de pagamento e cobrança, corretoras e outras.

 

O mercado financeiro brasileiro está em transformação, não só pelas mudanças regulatórias, mas também pelo aumento da competição imposto pelas fintechs. São algumas centenas de empresas e empresários inovando e desafiando o domínio dos bancos tradicionais que tiveram que sair da zona de conforto para não perder mercado. Embora os bancos tradicionais tenham se rendido às fintechs com incursões pontuais, ainda vemos poucas mudanças nas suas operações core. Não está fácil ser um banco tradicional no Brasil, mas eles resistem ferozmente.

 


Para ajudar a entender:

 

NOTA 1: Criamos um índice para os Bancos Tradicionais e um índice para as Fintechs a partir da performance diária das ações em BRL. Stone e PagSeguro são listadas nos EUA e portanto suas ações estão em USD - ajustamos os preços para a relação USD/BRL do dia. Naturalmente, a Stone e a Meliuz entraram no índice das Fintechs a partir do seu IPO.

 

NOTA 2: Em dezembro de 2020, os quatro maiores bancos tradicionais somaram 137 milhões de correntistas, mas muitas pessoas tem conta em mais de um banco: 56 mi (Itaú) + 32,3 mi (Bradesco) + 27,9 mi (Santander) + 21,2* mi (Banco do Brasil)

(*) clientes ativos nos canais digitais, não encontrei o total de correntistas.

 

NOTA 3: Como toda regra tem a sua exceção, o Agibank é uma fintech com um modelo híbrido: lojas físicas apoiam a plataforma digital. Leia mais, aqui!

 

Para se aprofundar mais no assunto, confira os cursos de "Finanças para Bancos Digitais (Fintechs)" e "Introdução aos conceitos fundamentais sobre Bancos Digitais".

 

José Securato é CFO do digio, trabalha em investment banking, fusões & aquisições, valuation e capital raising desde 1998 e fundou a Saint Paul Advisors em 2013.

 

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